Obituário
ou exercício para uma crônica
Nesta semana, li no jornal que uma escritora, de cuja obra gosto muito, morreu.
A notícia dizia que ela havia morrido de tristeza.
Achei bonito.
Tenho pensado na morte. Com as redes sociais, dia sim, dia não, recebemos uma notícia de falecimento: a escritora, o ator que a gente até achava que já tinha morrido, o cantor, o grande empresário.
Talvez, por isso, comecei a pensar na minha morte: como é morrer?
Em outra ocasião, havia lido sobre um homem que fez uma eutanásia nele mesmo.
Provavelmente, tem algum outro nome que me escapa agora, mas lembro que quando li a notícia, achei poético escolher o momento em que se vai unir os pés e se despedir do mundo.
Como eu disse, comecei a pensar na minha morte.
Decidi que não quero ser enterrada nos moldes tradicionais. Tenho claustrofobia e a ideia de passar a eternidade em um lugar fechado me angustia.
Também não quero ser cremada. A não ser que seja ao ar livre, em um dia de sol. Dias cinzas me deprimem.
Depois de muito pensar, decidi que quero explodir: BUM.
Simples assim.
Explodo em um sábado, nunca gostei de dar trabalho.
Lógico que em um dia de sol, em horário comercial.
Se existir lápide ou homenagem póstuma, basta escrever: Cansou e BUM.
Sem escândalos, choradeiras e arrependimentos. Eu mesma não me arrependo de muita coisa.
Se quiserem deixar mais poético, é só acrescentar: Cansou, feliz, BUM, acabou.
Penso que se é um caminho indiscutível, não deveríamos perder tanto tempo com medo da morte.
Talvez, ela nem exista.
Mas, também, ser lembrada todo dia da sua existência é cansativo.
Saudades de quando só recebíamos informações uma vez ao dia e, na maioria das vezes, nem entendíamos direito.


Eu gostaria de dexestir discretamente. Um dia qualquer percebem… não estou mais: escafedi-me. Nem eu mesmo sei para onde.
De alguma forma me lembrou uma música do velho Raulzito. (canto para a minha morte).